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As contradições do prefeito

Jasson de Oliveira Andrade

Quando assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2009, Paulo de Barros, o Dr. Paulinho, declarou à imprensa que iria economizar, recomendando aos seus secretários que procurassem gastar com cautela. No entanto, nos primeiros quinze dias, criou dez cargos e três secretarias (a do Governo, a de Cultura e a Ouvidoria do Município), gerando um gasto superior a R$ 400 mil reais, sendo que cada Secretário iria receber R$ 6.200,00. Não se discute a necessidade ou não dessas novas secretarias. Mas para quem havia dito que iria economizar, a criação delas foi uma contradição. Posteriormente criou outros cargos, principalmente para a Educação, e aumentou os salários de alguns servidores. Onde a economia?
Ao desistir do aumento do IPTU (considerado abusivo), em 16 de outubro, por pressão popular e da maioria dos vereadores, Dr. Paulinho anunciou a demissão de 40 comissionados indicados pelos dez vereadores (Salvador, na oposição, não indicou ninguém). Antes, já havia expulsado o vereador Guilherme de Souza Campos (PDT), o Guilherme da Farmácia, de sua base de sustentação, um fato inédito na história política de Mogi Guaçu. O motivo, segundo a Nota Oficial da Prefeitura, foi porque o edil havia distribuído panfletos contra o aumento do imposto, convocando a população a comparecer à Câmara Municipal para protestar. Anunciou ainda a Nota da Prefeitura: “Por isso, os cargos comissionados indicados pelo vereador foram exonerados”. O prefeito, nesta Nota Oficial, fez uma ressalva: “NÃO SE TRATA DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA (destaque meu), mais (sic) de postura coerente perante o grupo político que apóia a atual Administração Municipal”. Realmente houve a demissão de quatro comissionados, sendo dois secretários administrativos, recebendo apenas R$ 757,47! Se estas exonerações foram feitas porque o vereador expulso não seguiu a postura política do grupo, este mesmo grupo também não obedeceu à mesma postura, ou seja, aumento do IPTU. Em vista disto, seriam demitidos 40 comissionados a eles ligados. Agora o motivo, segundo o prefeito, seria “uma contribuição dos vereadores para que o Executivo consiga ECONOMIZAR (destaque meu) no próximo ano”. Será que foi isso que aconteceu? É o que veremos a seguir.
Ao invés de demitir 40 comissionados, como prometeu, exonerou somente 29. Assim mesmo, diferentemente de Collor que se tornou famoso pela sua campanha contra os marajás, Dr. Paulinho demitiu 18 pequenos comissionados, a maioria absoluta, recebendo cada um a “merreca” de R$ 747,47. Uma economia que, em minha opinião, não se justifica. É muito pouco para muito alarde! Para que se tenha uma idéia disto que estou afirmando, vamos fazer uma comparação. Os três novos secretários, criados apesar da promessa de economia, recebem, juntos, R$ 18.600,00 por mês e R$ 223.200,00 por ano. Já os 18 secretários administrativos, juntos, recebem R$ 13.634,46 por mês e R$ 163.613,51 por ano. Pelo visto, TRÊS novos secretários recebem muito mais (R$ 59.586,48) do que DEZOITO secretários administrativos. Portanto, o prefeito se contradiz quando disse que iria economizar e criou três novas secretarias, bem como, também para economizar, demitiu 18 pequenos comissionados. A respeito destes, a Prefeitura deveria emitir uma Nota Oficial, explicando que “não se trata de perseguição política, mais (sic) sim para economizar para o próximo ano”. Acredite quem quiser!
Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu (novembro de 2009)
03-11-2009

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