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Kassab quer aumentar IPTU: Dr. Paulinho desiste

Jasson de Oliveira Andrade

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), quer aumentar o IPTU, que, segundo a Folha, poderá chegar a 357%, graças ao aumento do valor venal. Serra, pensando em 2010, não acredita que seu aliado, que ajudou a reeleger, vá mesmo aumentar o imposto. À Folha, declarou: “Isso é conversa”. No entanto, o prefeito da Capital confirma o aumento. Ao Estadão (15/10), disse: “O projeto terá uma trava, limitando o valor (do aumento) a um porcentual para que não haja reajuste excessivo”. Segundo o jornalista Diego Zanchetta, no mesmo jornal, a “atualização deveria ter ocorrido em 2007”, mas o prefeito recuou “após repercussão negativa em bairros de classe média”. Um assessor de Kassab afirmou: “Aumento de IPTU é bem pior que aumento de tarifa de ônibus, ainda mais em ano eleitoral”. Realmente isso ocorre como constatou o próprio jornal ao lembrar que mudanças (de impostos) fizeram Marta [ex-prefeita de São Paulo] virar “Martaxa”. Depois disso, Marta Suplicy não foi reeleita e sofreu queda de votação em eleições posteriores, inclusive perdeu para Kassab no ano passado: Martaxa pesou na votação!
A Folha, no Editorial “Kassab quer taxar”, publicado em 15/10/2009, comenta: “Quando o apetite do governo pelo gasto não cabe em seu orçamento, há duas saídas. Ou corta na própria gordura ou aumenta os impostos”. Adiante o Editorial da Folha acrescenta: “Encalacrado entre GRANDIOSAS PROMESSAS DE CAMPANHA (destaque meu) e a mais modesta realidade arrecadatória, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, flerta com o artifício clássico. Esta Folha revelou ontem [14/10] que sua gestão estuda aumentar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)”. Depois o jornal dá um conselho ao prefeito: “Em vez de onerar ainda mais quem paga seus impostos em dia, a prefeitura deveria cobrar com mais eficiência dos contribuintes que não o fazem”. A Folha termina assim o seu Editorial: “Vinda de uma liderança do DEM – sigla que combate qualquer tentativa de aumentar tributos na esfera federal – e de um político que explorou o histórico de criação de taxas de sua adversária na campanha [Marta Suplicy] a iniciativa de elevar o IPTU é de uma incoerência lamentável”.
Em Mogi Guaçu, com a rebelião dos vereadores e também devido ao protesto popular na Câmara, Dr. Paulinho recuou e desistiu do aumento do IPTU. No meu artigo “A surpreendente derrota do Prefeito”, perguntei: “O prefeito entendeu o levante [dos vereadores] ou vai para o confronto? A conferir”. Dr. Paulinho foi para o confronto: demitiu os servidores em comissão indicados pelos dez vereadores (Salvador na oposição não nomeou ninguém). A atitude dele foi uma surpresa. O Correio do Povo (17/10) noticiou na página 3 que “a assessoria de imprensa da prefeitura informou ao Correio que NÃO PASSAM DE BOATOS (destaque meu) a existência de uma lista de possíveis exonerações de pessoas em cargos comissionados indicadas por vereadores da base aliada”. Já na página 4, o mesmo jornal publicou a entrevista do prefeito, confirmando as demissões. Como já escrevi o prefeito não divulgou e não discutiu o imposto: quis impô-lo e os vereadores que não o aceitavam eram, segundo a imprensa, ameaçados com punição. O JORNAL CIDADE também abordou, no editorial “A base aliada ruiu”, esta situação: “[O prefeito] não soube ou não teve humildade, por exemplo, para negociar [com os vereadores e a população] o projeto do IPTU. (...) Simplesmente tentou enfiá-lo goela abaixo de todos. Pagou um preço alto”. Agora é esperar o que vai acontecer!
Será que Kassab vai recuar a pedido de Serra, imitando o Dr. Paulinho? Vamos aguardar.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu (outubro de 2009) 19-10-2009

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