Recordando aumento do IPTU em 1997
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE
Recordando aumento do IPTU em 1997
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE
Agora que o aumento do IPTU voltou a ser discutido na cidade, vamos recordar outro acontecido em 1997 e pedido pelo então prefeito Walter Caveanha. Na época, houve protesto e o petebista recuou em parte.
O jornal REALIDADE, edição de dezembro de 1997, deu em manchete de primeira página: “PADRE LIDERA PROTESTO CONTRA AUMENTO DO IPTU”. No subtítulo: “Câmara adia votação – População se faz presente para pressionar vereadores”. Era o protesto popular liderado pelo padre Estevan, já falecido e que era pároco da Matriz do Rosário (na época, hoje Paróquia Nossa Senhora do Rosário, ou da Capela, como é também conhecida). Outro padre que liderava o movimento era João Marcos, da Vila Paraíso, atualmente em Mococa. Os populares que lotavam a Galeria carregavam faixas, que em suas mensagens diziam, entre outras: PROPOSTA INDECENTE: 100% NO IPTU. Em vista do protesto, o presidente da Câmara, Elias Fernandes de Carvalho, suspendeu a Sessão. Na reportagem, essa informação: “Também em entrevista concedida a Radio Difusora, no programa do radialista Batista Gabriel, ouvimos a indignação do deputado Carlos Nelson Bueno, que se manifestava favorável a mobilização das Entidades Eclesiásticas de Base, e solicitava que também participem desses movimentos, as Igrejas Evangélicas, Clubes Esportivos, Sindicatos e demais sociedades (...)”.
Em outra Sessão, a Câmara decidiu sobre o aumento. A decisão foi apertada. Como o número de vereadores em 1997 era de 19 edis, houve empate de 9 a 9. O vereador Elias Fernandes de Carvalho, presidente da Câmara, decidiu a favor do prefeito Caveanha. Votaram a favor do aumento, além do presidente, os seguintes vereadores: João Reis; Carlos Emilio Caveanha, Peri; Adhemar Balduino de Carvalho, Tigrão; Sebastião Francisco Theodoro, o Tiãozinho; José Luís Bueno Rodrigues; Eliel Ângelo Soares; Luís Carlos Gaioto; Luiz Casagrande, Jamelão e José Roberto Machado, Zé Roberto do Cartório. Votaram contra o aumento do IPTU: Professor Geraldo Ferreira Gonçalves; Moacir Rosendo Batista Bueno; Nelson Aníbal de Luiz, Nelsão; José Antonio Pirituba de Souza; Irene Delfino da Silva; Neusa Thim; Gerson Faustino da Câmara, Gerson do INPS; Marcos Gabriel Mesquita e Darci Pedro da Silva. Apesar de aprovado, o aumento não foi aquele pedido pelo prefeito Walter Caveanha. Ele recuou e aceitou o índice apresentado pela Comissão de Representantes da Comunidade, liderada pelos padres citados, ou seja, de 17, 5% e não superior a 100%. Assim mesmo, prevaleceu o aumento apenas para os terrenos. Foi, sem dúvida, uma vitória dos movimentos sociais. E o alerta da Comissão, em um Esclarecimento à População, decidida em reunião realizada nos dias 17 e 19 de março de 1998 ( “Assim, lute por seus direitos de cidadão, não pague aumentos abusivos, principalmente por encontrar a economia estável, você não teve aumento de salário e a inflação de 1997 não chegou a 8%”), foi ouvida pela população que protestou e acatada pelo prefeito de então.
Aí fica a história da luta contra o aumento do IPTU em 1997, um fato histórico.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu (setembro de 2009)


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