Obama e a ditadura em Honduras
Jasson de Oliveira Andrade
O golpe militar em Honduras, ocorrida em 28 de junho de 2009, dois meses depois encontra-se na mesma situação. O presidente deposto Manuel Zelaya, exilado na Costa Rica, tentou voltar, mas foi impedido na fronteira de seu país. Em vista dessa situação, Oscar Arias, presidente da Costa Rica, em artigo no The Washington Post, sob o título “A ameaça de militares poderosos”, transcrito no Estadão, constatou: “Paira sobre a América Latina um clima de incerteza e tumulto que, eu esperava, nossa região não voltaria a experimentar. O golpe em Honduras traz triste lembrete de que, apesar do progresso obtido na região, os erros do passado ainda estão muito próximos”. Adiante ele afirmou: “O golpe em Honduras demonstra, mais uma vez, que a combinação de militares poderosos e democracias frágeis cria um risco terrível”. No passado, já tivemos essa combinação com resultado terrível para a democracia na região, inclusive no Brasil. Com uma diferença. No passado, os golpes militares recebiam ajuda dos Estados Unidos. Carlos Heitor Cony, em artigo de abril de 2002, revelou: “Com exceção dos dois movimentos militares de novembro de 1955, no Brasil, [um para impedir a posse de Juscelino; outro para anular o golpe que a impediria] todos os golpes na América Latina foram planejados, executados ou apenas apoiados pelos Estados Unidos”. Alguns não aceitam que os americanos apoiaram tais golpes, inclusive o de 64 no Brasil. No entanto, documentos americanos, agora divulgados, confirmam esse apoio. A Folha, em 16/8/2009, na reportagem “MÉDICI E NIXON PLANEJARAM DERRUBAR ALLENDE”, comprova o apoio relatado. O documento americano revela que o encontro entre os dois presidentes deu-se no Salão Oval da Casa Branca, às 10 horas de 9 de dezembro de 1971. Dois anos depois, em setembro de 1973, o general Augusto Pinochet deu o golpe, que causou a morte do presidente Allende. Se no passado era desta maneira, atualmente os Estados Unidos não deram aval ao golpe em Honduras. Pelo contrário, o presidente Obama o desaprovou. É o que veremos a seguir.
O governo dos Estados Unidos condenou o golpe em Honduras, tomando algumas medidas diplomáticas como anular vistos diplomáticos de golpistas (Folha, 29/7), motivado pelo fato de que Washington não reconhecer o governo Micheletti, e recentemente a suspensão de vistos a hondurenhos (Folha 26/8). “A medida tenta minar apoio até aqui irrestrito de elite de Honduras ao regime golpista”, escreveu Sérgio Dávila. Mas apenas sanções diplomáticas não bastam. É o que informa Fabiano Maisonnave, em reportagem à Folha (13/8), sob o título “Só EUA podem ajudar deposto”: “A conservadora elite hondurenha se sente abandonada por Washington e crê que o golpe foi necessário para salvar Honduras do chavismo, trabalho que, para eles, deveria ter sido feito pela CIA. (...) Para Zelaya [presidente deposto], a falta de sanções econômicas duras dos EUA é a única explicação da sobrevivência dos golpistas. Sinal dos tempos: agora, tanto a direita quanto a esquerda exigem intervenção americana”. Obviamente de modo bem diferente. A conservadora elite hondurenha através da CIA, como era feito no passado. O presidente deposto através de sanções econômicas duras contra os golpistas. Não se devem misturar alhos com bugalhos!
Pelo visto, a democracia em Honduras talvez só volte em novembro deste ano, quando teremos eleições. Antes disto, dificilmente o presidente Zelaya reassuma a presidência, a não ser que haja uma intervenção mais contundente dos Estados Unidos. Vamos aguardar.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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