PMDB LULISTA X PMDB SERRISTA
Jasson de Oliveira Andrade
No artigo “Contra Sarney ou contra Lula?”, mostrei que os jornalões e revistas, tucanos, estão massacrando Sarney porque ele apóia o governo Lula. Daí ter concluído que os ataques visavam, indiretamente, o presidente. Para se compreender melhor o assunto, existem dois peemedebes: o do Lula (Sarney, Michel Temer e outros) e o do Serra (Quércia e outros). Quércia apoiou Kassab (DEM) para prefeito, tendo lançado a quercista Alda Marco Antonio como vice-prefeita. Hoje ela é também secretária municipal. Quércia, que era atacado pela imprensa escrita e falada, considerado corrupto, um político pior do que Sarney (quando foi presidente do Senado na época de Fernando Henrique Cardoso, nos ano 90, não era atacado pela mídia e muito menos pelos tucanos, como acontece atualmente), hoje é “esquecido” pela mídia.
Quando era considerado um lulista, a revista Veja, em junho de 2006, fez graves acusações contra Quércia, que a processou. Como ele hoje é serrista, a revista não o ataca mais, preferindo, por motivos óbvios, o Sarney. Desconheço como se encontra o processo, mas possivelmente foi retirado. Não sei. Para que os leitores conheçam o que ocorreu naquela época, transcrevo o artigo que escrevi em junho de 2006. Por ele, pode-se, mais uma vez, verificar como age a imprensa.
Quércia Processa Veja
A VEJA, na reportagem “O QUE O PT E O PSDB MAIS QUEREM?”, fez duras críticas a Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo. No texto, assinado pelo jornalista Otávio Cabral, a revista revela que Serra se encontrou com o peemedebista em 9 de abril. Posteriormente, Quércia foi procurado pelo PT e se encontrou com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, no dia 31 de maio. Ao que parece, com esse encontro, o ex-governador não iria mais se aliar com os tucanos. Essa impressão se deve pelos ataques que recebeu da VEJA. Por que a revista não revelou seus “podres” antes, em abril, quando recebeu a visita de Serra em seu apartamento, no bairro dos Jardins? Como a revista faz campanha massacrante contra Lula, quem pagou o pato foi o Quércia. O jornalista foi inteligente. Para não demonstrar que a critica era motivada pelo encontro presidencial, misturou Lula com Serra. Uma reportagem muito sutil!
A sutileza do texto pode-se verificar com esse trecho: “Bem, tucanos e petistas podem até falar de suas semelhanças uma vez ou outra, mas o único dado concreto que os une mesmo, pelo menos até agora, é o assédio a Orestes Quércia, o líder do PMDB que, HÁ MAIS DE UMA DÉCADA, praticamente deixou a política ao tornar-se UM SÍMBOLO VIVO DA CORRUPÇÃO (destaques meu)”. Uma mentira porque Quércia não deixou a política há mais de dez anos: ele se candidatou a senador em 2002. Adiante afirma: “Durante sua gestão [de Quércia] no governo paulista (1987-1991), a empreiteira Andrade Gutierrez tornou-se a rainha das obras em São Paulo – E AS DENÚNCIAS DE OBRAS E COMPRAS SUPERFATURADAS (destaque meu), como a inesquecível aquisição de equipamentos de informática de Israel, viraram uma constante. (...) Quércia tem origem humilde, filho de uma lavradora e um balconista de mercearia, e conseguiu erguer um império sem deixar de fazer política – razão pelo qual se tornou SÍMBOLO DOS POLÍTICOS QUE ENRIQUECEM COM A PRÓPRIA POLÍTICA (destaque meu)”.
Em vista desses ataques, Quércia vai processar a VEJA. No Informe Publicitário que publicou na imprensa, no dia 6 de junho, o ex-governador informou: “VEJA requentou matéria de 14 anos atrás, sem acrescentar nada de novo, nenhuma denúncia, nenhum indício e, pior, sobre tema já julgado e encerrado pela Justiça brasileira. Para me atacar e ludibriar seus leitores, VEJA usou a velha técnica de misturar verdade e mentira para tentar dar verossimilhança à sua falácia e fantasia. (...) As denúncias que VEJA requentou foram julgadas e esclarecidas há anos. Fui ABSOLVIDO (destaque meu) pela Justiça de todas as acusações mentirosas feitas por meus opositores políticos. (...) Sendo assim, em defesa de minha honra e a bem da verdade, estou encaminhando processo judicial pelas calúnias e difamações das quais, mais uma vez, fui vítima. Recorri a esse expediente legal para responsabilizar VEJA e a Editora Abril”. Quércia critica: “Liberdade de imprensa é um dos mais caros componentes da democracia, mas não se pode aceitar que o mau jornalismo iluda a população e ofenda qualquer cidadão”.
Não vou entrar no mérito das acusações da VEJA, nem da defesa de Quércia. O processo judicial que o ex-governador diz que impetrou vai decidir quem tem razão. Apenas estranho que a revista não tenha citado o caso da privatização do Banespa. Neste caso, os tucanos entraram na Justiça contra a antiga administração. Diretores que conheço, decentes e honestos, tiveram seus bens bloqueados. Passaram por constrangimentos. Por que a VEJA não citou esse caso? Será que o motivo não seja porque foram os tucanos que privatizaram e entraram com o processo? As pessoas supostamente envolvidas, ao que consta, foram absolvidas, e hoje, um deles governa São João da Boa Vista [Em 2009, ainda prossegue o processo contra o Nelsinho, se não estou enganado]. Será que VEJA ainda acredita no apoio de Quércia a Serra e não quer citar o caso para não atrapalhar? Estranho muito estranho!
Encerro este artigo com uma dúvida. Se o Quércia tivesse apoiado o Serra ao invés de ter encontrado com o presidente Lula, a VEJA teria feito essas denúncias, “requentadas” como diz o ex-governador? Por que levantar processos já arquivados? Em minha opinião, a revista procura desmoralizar quem se aproxima de Lula! Ai daqueles que tentam fazer esse contato. Agora foi a vez de Quércia. Quase mereceu uma capa da revista. Isso só não aconteceu porque foi apenas um encontro. Se tivesse apoiado o presidente... Vejam como age a VEJA, mesmo disfarçadamente!” Isto escrevi em junho de 2006. Perceberam que a imprensa escrita e falada agem da mesma maneira em 2009?
Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu (julho 2009)


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